Amor extremo

Talvez os animais amem. Talvez. Mas os homens não. Nem as mulheres. Seres humanos não amam e nem vão amar. Amar é muita coisa. Amar é demais pra gente. Na história da humanidade nenhum homem conseguiu amar até hoje. Nós tentamos amar. Queremos amar. Amamos as consequências de nossas tentativas frustradas de amar. É prepotência humana querer amar. Quem somos nós pra amar?

O amor não pertence ao nosso mundo. Não toca no mundo. Aliás, ele encosta no mundo, mas encosta como sugestão de amor, nunca como amor em si. O que existe no mundo é a sugestão do amor, o projeto do amor, o planejamento do amor, o plano de amar, a esperança de amar, a expectativa de amar. O amor em si está numa margem outra. Nossa condição humana é o suficiente pra não podermos alcançá-lo.

O amor é absoluto. Por isso a razão cancela automaticamente qualquer possibilidade de acesso ao amor. E isso não é triste. Isso é lindo. Isso é romântico no sentido verdadeiro da palavra. É, de certo modo, gratificante ver que o amor permanece blindado, intacto, ininvocável. Seres humanos não têm tamanho, grandeza, plenitude, pra amar. Não sustentam o amor. Nós não sentimos amor. Chamamos de amor o sentimento de frustração pela tentativa de amar. É impossível amar de fato.

2 comentários:

Nigelly Fernandes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nigelly Fernandes disse...

Você afirma isso porque não é mãe! rs Tenho três filhotes lindos e tenho certeza absoluta que o sentimento que tenho por eles e eles por mim... É AMOR! Exatamente da maneira como você descreveu.. rs Mas vendo por um lado romântico.. homem e mulher... aí realmente! O ser humano passa longe... rsrs

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