Verborreia Maldita

Venho sentindo dificuldade (e preguiça) de me estender em minhas palavras. Aliás, nunca fui de escrever textos longos. Acredito, cada vez mais, que escrever é a arte de cortar palavras. E que dizer é a arte de cortar fala. Pois bem.

Uma dissertação qualquer – formal, ou não –, quando se torna demasiadamente explicativa, acaba me dando náuseas. Já notou como o excesso de palavras desvaloriza as mesmas? E isso acontece por uma questão matemática. Quando a gente fala muito, proporcionalmente, reduzimos nossas chances de manter a interessância do que está sendo dito. Ou seja, falando muito, no mínimo, não dirás o suficiente para fazer valer seu excesso de palavras. O preço que se paga isso eu não sei. Mas, naturalmente, suas palavras perderão peso. O que já é o suficiente para ser um desastre. Afinal, de que vale nossa experiência de vida senão pelo ganho de credibilidade do que dizemos? Senão pelo respeito adquirido em nossa palavra?

O dito ou o escrito em si não dizem nada. A comunicação mora no além do comunicado. Vibra na entrelinha. E quando alguém fala demais para me explicar algo simples, eu me sinto subestimado. Ao passo que, quando falam pouco para explicar-me o mesmo, sinto-me valorizado. Menos palavras, menos possibilidade de ruídos. Mais verbos certeiros, mais provocação, mais êxito.

As intensões partem da alma. As palavras dão o acabamento. Eis aqui um minúsculo manifesto por uma melhor pontaria e por menos disparos. Para que não se deperdice energia interior com a verborragia desvairada. Esforcemo-nos para não banalizar a Palavra. Não usá-Las em vão.

1 comentários:

pietra oliveira disse...

"O excesso de palavra desvaloriza as mesmas"
Falar é defesa, ouvir é ataque.
maximo respeito aos que ouvem mais, e falam menos.
Faladores me irritam, ouvintes possum meu respeito!

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