O Eu que não me pertence

Há um Eu dentro de mim que sou eu, mas que não me pertence. Nunca pertenceu e nem pertencerá. O fato é que sinto-me obrigado a satisfazê-Lo. Naturalmente. Devo-Lhe carinho, respeito, atenção. Preciso alimentá-Lo diariamente com o que Ele deseja. Com o que Ele me orienta fazer. Este Eu não usa palavra para expressar o que quer. Sinto-O e uso minha razão para traduzir, pra mim mesmo, Seu desejo.

Não posso ajudar ninguém antes Dele. Primeiro Ele, depois os outros e depois eu. Trabalho com entusiasmo para bem nutrir meu corpo que abriga este Eu que amo. Exercito minha razão para evitar ruídos entre nossa comunicação. Ele está em mim, logo, está por trás de cada passo que dou. Sempre consegue me provocar, fazer-me vibrar, fazer-me questionar. Sempre me obriga a evoluir.

Este Eu é a intrepidez e o amor em estado bruto. Não é um “eu iluminado”, pois nada pode iluminá-Lo, visto que Ele é a própria luz. Não é tocável, mas é real. Não é físico, mas eu sou a representação material Dele. Acredito, finalmente, que este Eu é o que me rege. Que Ele é o meu senhor. Acredito que este senhor é o meu pastor e que nada, nada me faltará.

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