Escritos Proibidos

É comum as pessoas escreverem, guardarem seus escritos e alegarem que escrevem para si. Temos o direito de não mostrar o que criamos. E eu também tenho o direito de ser curioso para saber o que motiva esses escritores anônimos a esconderem suas palavras. Respeito quem não quer expô-las, mas aqui vai a minha opinião sobre.

Uma idéia estúpida escrita num guardanapo rasgado de um bar imundo vale mais que uma idéia extraordinária guardada dentro da cabeça de um gênio de Harvard. Enfim, vou falar por mim...

O que escrevo, normalmente, provém de um canto escuro e gelado meu. Por isso, por mais que eu hesite em publicar algo, a necessidade de expô-lo vence, pois quando alguém se identifica com o que escrevi, este alguém abraça e aquece uma fragilidade minha qualquer. Exponho-me por uma necessidade insaciável destes abraços alheios. Exponho-me por carência. Publico-me porque não quero imaginar que só eu sinta. Quero que todos sintam. Publico-me por um egoísmo expansivo e ingovernável.

No fundo, acredito que boa parte das exposições são válidas. Existimos porque o outro existe. Existimos porque alguém nos reconhece como tal. Vivo em função do próximo. Sou porque você é. Você é porque eu sou. Deus é par.

Mas e você, escritor anônimo? Por que esconde suas palavras? Acha seus escritos ruins ou bons demais? Acha-os medíocres? Acha que publicando-os sua vida será exposta? Exposta para quem? Para alguém que você considera como sendo o quê? Superior, inferior ou indiferente a você? Na real, tratando-se de escrita, mesmo que você queira ser lido, raros vão lê-lo. Ler é ouvir. E no mundo atual, poucos lhe escutam.

Estão todos preocupados com suas respectivas vidas, seus respectivos umbigos, suas contas, suas compras. Enfim. Verdade é que poucos ligam para nossas idéias. Ninguém quer saber da nossa vida pessoal. E os que querem são insignificantes para o mundo. Se você acredita no que pensa, fala e é, publique-se. Sem medo.

1 comentários:

Adriano de Oliveira disse...

Tenho medo de me expor. Talvez por egoísmo ou simplesmente timidez.

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